quinta-feira, 9 de maio de 2013

Qual a diferença entre preto, pardo e negro?

A classificação "pretos" feita pelo IBGE levantou polêmica sobre a forma correta de chamar esse grupo de pessoas

A divulgação, por parte da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), de notícia sobre a ausência de pessoas pretas nos cursos mais concorridos da Universid... alimentou uma polêmica sobre a forma mais correta de se classificar a população pela cor ou raça. Com a bandeira do "politicamente correto" levantada, alguns defenderam que seria melhor utilizar os termos negros ou afrodescendentes. Mas é errado chamar alguém de preto?
O debate começou porque a Fuvest, responsável pela seleção dos alunos da USP, adotou o padrão de classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divide a população do País em cinco grupos: pretos, pardos, brancos, amarelos e indígenas.
A alegação é histórica: o primeiro censo demográfico do Brasil foi feito em 1872 e perguntava aos brasileiros em qual dos quatro grupos eles se enquadravam: preto, pardo, caboclo ou branco. Ao longo de mais de 140 anos, foram feitas algumas mudanças na nomenclatura, mas ainda não há consenso sobre a forma de classificar a população.
Esse é um tema muito polêmico. Alguns defendem que deveríamos usar a classificação negro, mas o negro é uma identidade social. Leva em conta uma visão política, a identidade de um povo muito mais do que a cor da pele. José Luiz Petruccelli Pesquisador do IBGE
José Luiz Petruccelli, que faz pesquisas sobre diversidade racial há mais de 20 anos no IBGE, reconhece que a classificação pode ser aprimorada, embora defenda que o modelo segue uma série histórica e mudanças poderiam prejudicar a comparação dos dados. "Esse é um tema muito polêmico. Alguns defendem que deveríamos usar a classificação negro, mas o negro é uma identidade social. Leva em conta uma visão política, a identidade de um povo muito mais do que a cor da pele", defende.
O especialista diz não ser correto, para efeito de pesquisas, reunir pardos e pretos em um só grupo, de negros. Segundo ele, a discriminação contra os pretos é muito maior do que a verificada entre as pessoas que se autodeclaram pardas, e essa diferença precisa estar presente nos levantamentos demográficos. "Existe diferença no comportamento social entre pretos e pardos: quanto mais escuro, mais discriminado", afirma. 
Já a União de Negros pela Igualdade (Unegro), organização de movimentos sociais criada na Bahia e presente em 24 Estados, defende que o mais adequado é usar o termo negro, embora aceite as regras do IBGE. "Como não existe um critério científico para essa classificação, acordou-se em usar a nomenclatura do IBGE para pesquisas, que seria o mais próximo do viável", disse Alexandre Braga, diretor de comunicação da entidade.
Apesar de concordar que quanto mais escura a cor da pele, maior a discriminação, a Unegro acredita que o IBGE possa vir a usar apenas a classificação negro no futuro. "As pessoas se identificam mais como negras do que pretas ou pardas", afirma Alexandre.
Preto e pardo
Nas pesquisas do Censo feitas pelo IBGE, é apresentada uma relação com as cinco nomenclaturas utilizadas e as pessoas precisam indicar a qual cor pertencem. Segundo Petruccelli, cada pessoa tem liberdade para dizer a sua classificação. Ele explica que pretos normalmente são as pessoas que se enxergam com a cor mais escura. Mas em relação aos pardos não há consenso. "Normalmente são as pessoas que se classificam como ‘morenas’ ou ‘mulatas’, mas isso depende na região", afirma.
O pesquisador diz ainda que nas regiões Sul e Sudeste, a população que se declara parda normalmente é de origem africana. Porém, no Norte, muitos pardos são, na verdade, descendentes de indígenas. Ele ainda conta uma história curiosa sobre a situação no Distrito Federal. "A população local, por mais branca que seja a sua pele, se classifica como parda porque vê os brancos como os funcionários públicos que vieram de fora".
De acordo com o pesquisador do IBGE, a presença de pretos é menor no Brasil, por isso existe a tendência em reunir pardos e pretos em um grupo de negros. Ele diz que apenas para as pesquisas o termo não se aplica, mas que na convivência social é válido agrupar as duas nomenclaturas. Para o representante da Unegro, ocorre também a resistência em assumir a cor preta e muitos preferem ser incluídos na lista dos pardos - que seria uma forma intermediária. "A identidade do negro é muito maior, por isso defendemos a utilização desse termo", afirma.
E o afrodescendente?
De acordo com o diretor da Unegro, o termo afrodescendente - ou afrobrasileiro - está em desuso. "Acredito que hoje seja muito mais adequado chamar alguém de negro do que de afrodescendente. Essa é muito mais uma nomenclatura política, de ação dos movimentos sociais na luta contra discriminação do que para designar a cor", explica.
Do Terra / Imagem: Blog do Félix

Debates Feministas em Brasília

O Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA) convida todas e todos para a 1ª Edição dos "Debates Feministas", na próxima 5ª feira (9 de maio), a partir das 19h, no Sebinho (CLN 406). Na ocasião, serão lançados os livros "Mulheres negras na primeira pessoa", organizado por Jurema Werneck, Nilza Iraci e Simone Cruz, distribuído gratuitamente, e "Aqui ninguém é branco", de Liv Sovik (R$ 32). As autoras participarão de uma roda de conversa sobre racismo, com a presença do coletivo Pretas Candangas.


Mulheres negras na primeira pessoa
Jurema Werneck, Nilza Iraci e Simone Cruz (ORGs)
A obra traz o relato de 20 mulheres negras representativas de nove estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Paraíba, São Paulo, Pará, Rio de Janeiro, Amapá, Ceará, Paraná e Goiás). As narrativas são de mulheres negras quilombolas, nordestinas, sulistas, entre outras, urbanas ou não, cujas trajetórias sensibilizaram as organizações membros da AMNB, que as indicou para simbolizarem a luta das mulheres negras no Brasil. O resultado é um livro emocionante, repleto de histórias de lutas temperadas com energia, garra, amor, sabedoria e afeto.
Distribuição gratuita
 
Aqui ninguém é branco
Liv Sovik
Através do estudo de lugares-comuns na música popular brasileira, Aqui ninguém é branco propõe releituras do cosmopolitismo brasileiro, do corpo dançante como emblema da nação, da marca deixada pelos escravos e da ligação entre branco e negro no cotidiano. Discute as maneiras em que, na grande imprensa, o branco é valorizado e a experiência americana de relações raciais é tratada como ameaçadora e radicalmente diferente da brasileira.
R$ 32
 
Pretas Candangas
Coletivo de mulheres negras do Distrito Federal.
Mais informações: www.pretascandangas.wordpress.com
 
Saiba mais sobre a atividade:

segunda-feira, 6 de maio de 2013

EAD FUNDAJ – Seminário Virtual – 10 Anos da Lei 10.639/03

 

Foi criado um seminário virtual nacional para se discutir a educação para as relações étnico-raciais. O seminário se enquadra no objetivo de realizar uma comemoração reflexiva dos 10 anos da Lei 10.639/03, que trata da obrigatoriedade do ensino da cultura afro-brasileira e da história da África nas redes de ensino. 
A ideia de realização do Seminário nasceu em Florianópolis, no último Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros. A proposta é que ele seja realizado pelo Consórcio Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros - CONNEABs, pela Associação Brasileira de Pesquisadores Negros - ABPN, pelo GT 21, “Educação e Relações Étnico-Raciais”, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação - ANPED, pela Fundação Joaquim Nabuco e pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades - CEERT.
A proposta é de se realizar uma discussão sobre diferentes aspectos relacionados às conquistas e aos desafios presentes nos processos de implementação da Educação das Relações Étnico-Raciais nas redes de Ensino.
O Seminário se desenvolverá a partir de seis grandes temas. Cada tema terá um (a) autor (a) convidado (a) que elaborará texto introdutório com três questões-chaveque abrirão o diálogo. Esse texto será comentado por um/a pesquisador/a e, posteriormente, ficará aberto para a participação e discussão dos inscritos no seminário. Os debates ocorrerão num fórum de discussão no Portal EAD FUNDAJ – Seminário Virtual – 10 Anos da Lei 10.639/03.Os comentários, opiniões serão sistematizadas pela Equipe deSistematizadores/as, que produzirão um relatório síntese das discussões do tema. Após o final do seminário teremos os relatórios temáticos que comporão a feitura do relatório final. Será produzido um livro.
As inscrições ocorrerão do dia 15 de abril a 08 de maio/2013.
Inscrições e Informações Portal da Fundaj:

domingo, 5 de maio de 2013

Feira de Troca no Tardes Negras

Domingo 28 de abril, aconteceu a 2ª edição dos Tardes Negras. Dessa vez com uma pitada de Economia Solidária, pois além de muita música de qualidade o evento também trouxe uma Feira de Troca para a comunidade. A ideia foi promover um momento de reflexão sobre o consumo e estimular o senso de comunidade.
Quem tinha peças em casa em boas condições de uso, aproveitou a oportunidade. Brincos, vestidos..., livros, calçados, bolsas e por ai foi. A Feira deu tão certo que o Fórum irá organizar outras feiras de troca, em outras ações, além do Tardes Negras, já começe a organizar seus objetos pra levar.
A próxima edição será dia 19 de maio e terá como tema:
"Abolição pra quem", além de ser comemorado também o aniversário de 1 ano do FOJUNEDF.

Aguarde mais informações.













sexta-feira, 26 de abril de 2013

2ª EDIÇÃO - TARDES NEGRAS

Pra quem ficou com gostinho de quero mais, a 2ª edição do  Tardes Negras, além de trazer muita musicalidade, dessa vez também traremos uma : Feira de Troca!
A idéia é promover um momento de reflexão sobre o consumo e estimular o senso de comunidade.
Se você tiver algo em casa em boas condições de uso, mas enjoou e quer trocar, é sua oportunidade.

Está ação de troca solidária traz, o exercício de novos olhares sobre o consumo.

Traga: Roupas, sapatos, livros, cds, bijuterias, acessórios e afins.
Aguardamos vocês lá!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Açougue T-Bone recebe o cantor carioca Ed Motta com roupagem sinfônica

25/04/2013


"Vivemos uma mediocridade auditiva. A cena de música dos últimos 20 anos é inexistente, pobre, paupérrima"
O último grande sucesso radiofônico de Ed Motta surgiu há exatamente uma década. A dançante Tem espaço na van foi lançada no disco Poptical, de 2003. Desde então, apesar de ter produzido outros quatro álbuns, o compositor carioca experimentou êxito popular moderado. Agora, Motta está de trabalho novo. AOR saiu anteontem e tem potencial para levar o artista de volta às paradas. Mas não espere que ele cante alguma das músicas recentes no show que faz nesta quinta-feira (25/4), a partir das 19h, na entrequadra da 312/313 Norte, na 33ª Noite Cultural T-Bone, acompanhado da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro. O dia é de relembrar clássicos da carreira de 25 anos de Ed, com a novidade da roupagem orquestral, e celebrar os 15 anos de shows do açougue mais conhecido do Plano Piloto.

“As músicas que tocaram muito nas rádios, como Colombina e Fora da lei, são sempre obrigatórias”, diz Ed ao Correio, por telefone, de seu apartamento no bairro Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. O músico já havia tocado com orquestra antes; mas, com esta, é a primeira vez. Os arranjos em novo formato ficaram a cargo do maestro Joaquim França. O detalhe é que o compositor carioca havia anunciado sua chegada para ontem à cidade. Logo, não terá muito tempo para ensaiar. Mas isso não é problema para Ed. “Será algo curioso e diferente, uma surpresa tanto para mim quanto para o público. E até para a própria orquestra, que está acostumada a outro tipo de repertório”, observa.
Fonte : CORREIO BRASILIENSE

quinta-feira, 18 de abril de 2013

TARDES NEGRAS

Regado de muita música Preta, o Domingo de Páscoa (31.03.2013) do Fórum de Juventude Negra do Distrito Federal, agitou a Casa da Capoeira em Ceilândia Norte, a 1ª edição dos Tardes Negras, evento organizado pelo FOJUNEDF, reuniu artistas do DF e entorno, além de jovens e representantes de Governo do Distrito Federal. 
Em 6 horas de evento, cerca de 70 pessoas se divertiram e discutiram sobre discriminação racial e políticas para a juventude negra.
O Tardes Negras irá ocorrer mensalmente na Casa da Capeira. 
A próxima edição será no dia 28.04.2013,  a partir das 15h00.
Venha somar conosco, convide a família e os amigos e até a próxima edição.
Abaixo segue as fotos de quem marcou presença.