sexta-feira, 15 de maio de 2015

Ato contra redução da maioridade penal marca 13 de maio em Brasília

Ato contra redução da maioridade penal marca 13 de maio em Brasília

A Frente Nacional Contra a Redução da Maioridade Penal realizou o ato “13 de maio, abolição pra quem?”. A pergunta não ficou sem resposta: para protestar muito

Batendo de frente com a face da opressão
Em amplo movimento de protesto em frente ao Conic, para marcar a passagem do 13 de maio com a pauta e a poesia da militância negra, a Frente Nacional Contra a Redução da Maioridade Penal fez o busto de Zumbi sorrir. No breu de quatro postes mantidos apagados, cerca de cinquenta pessoas se aquilombaram e deram voz ao protesto contra alteração legal que só quer facilitar o extermínio da juventude negra.
Os cartazes do FOJUNE DFE, Coletivo de Entidades Negras/CEN, Coletivo da Cidade, MST, MTST, MPL, RENAJOC, Quilombo Estereótipo, Nosso Coletivo Negro, Movimento Hip Hop, ArtSam, MADEB, FOAFRO e Família Hip Hop, diziam de onde vinha boa parte dos negros que se aquilombaram naquele final da tarde e início de noite para fazer ecoar o protesto diante de cinco séculos de dores que em momento nenhum tiveram abolição.
Gente que passava em direção à Rodoviária momentaneamente parava de ser transeunte ou espectador na vida para ouvir o som e o brado dos irmãos e irmãs negros que se agigantavam quando tomavam a palavra para vocalizar o drama da juventude negra exterminada em escala genocida, mapeada e documentada estatisticamente.
Dhay Borges, Jô Serra, Leonardo Ortegal e Bebeth foram os primeiros a se revezar na denúncia do falacioso 13 de maio de 1888, marco das políticas de embranquecimento do país, e do 13 de maio de 2015, quando o genocídio da população negra se reforça com outros documentos legais, como as peças de ficção representadas pelos “autos de resistência” e o escárnio jurídico dos brancos que, sedentos de sangue negro mais jovem, batem de novo na tecla da redução da maioridade penal.
“Somos contra a redução da maioridade penal. O sistema é violento com a gente. Quem morre o tempo todo somos nós, nossos irmãos, nossas irmãs”, denunciou Dhay Borges, primeiro orador do protesto. “Há muito eles matam os jovens negros, a novidade é que a Câmara Federal quer ‘legalizar’ a morte do jovem negro”, disse a advogada Jô Serra, que foi a primeira Secretária de Estado da Igualdade Racial do Distrito Federal.  
“O camburão do braço armado do Estado brasileiro se confunde com o porão do navio negreiro”, declamou Leonardo Ortegal, do Fórum de Justiça Juvenil, do Conselho de Serviço Social, que também integra a Frente. Poeta, Ortegal foi uma das vozes jovens da poesia negra brasiliense, como Bebeth, de Santa Maria, Fernando Borges, da Estrutural, Neemias (com CD recém-lançado), Beto Sdr do Quilombo Estereótipo, Ceilândia e o trio Júlia Nara, Pedro e Laís, presentes ao “13 de maio, abolição pra quem?”.
“Estou também aí na luta contra o genocídio da população negra”, disse Pedro.  “Eu também fui vítima disso”, revelou. “No Maranhão, em Macabeira, um policial fardado me baleou no joelho esquerdo porque eu estava descalço na BR – só porque eu sou negro”, contou, antes de começar a entoar Negro Drama, com Júlia Nara e Laís, um panorama de pesadelos negros na cadeia e na favela.
Bebeth declamou “Vícios”, poema sobre como se formou como mulher negra e aprendeu a usar seu poder de mulher preta. “Eu aprendi a me amar, a me olhar no espelho, a exaltar minha negritude”, cantou Bebeth. “Na comunidade nós somos chamados de bandidos, mas aqui no Congresso eles são chamados de políticos”, cantou Fernando Borges, que veio ao ato para fortalecer o movimento contra a redução da maioridade penal.
Em meio a toda indignação carregada durante séculos de opressão, Gilza trouxe reflexões com suas interrogações, pois, num país de maioria negra, por que os negros ainda precisavam reivindicar cotas, por que a maioria da população de rua ainda era negra?
É importante ressaltar que a construção desse ato, foi feita pela Frente Nacional Contra Redução da Maioridade Penal DF, composta por: Domingos Olímpio, Lucélia Aguiar, Layla Maryzandra, Israel Victor, Dyarley Viana, Rita de Jesus, Júlio Lisboa, Arthur Antônio, Isís Taínah, Graça Santos, Neide Samíco além de outros nomes citados durante o texto.
A redução da maioridade e o auto de resistência são maneiras de exterminar o negro, disse Wilson Velecy, que vê no horizonte propostas piores. “Aqui no Brasil, vejam que interessante, os autos de resistências aqui no país, só morrem negros. Essa redução não vai reduzir nenhuma violência. O que vai acontecer então? Essa bancada branca vai sugerir pena de morte”, alertou.


Por:  Lunde Braghini Júnior - Jornalista 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

5 ª edição do Escambo Cultural Formação em Expressões Afrodescendente

O Fórum de Juventude Negra do Distrito Federal e Entorno foi convidado a contribuir com os diálogos que ocorreram, durante os dias 10 ás 12 de abril, 5 ª edição do Escambo Cultural Formação em Expressões Afrodescendente 2015, na cidade de Corumbá, Mato Grosso do Sul.





segunda-feira, 2 de março de 2015

Com intuito de promover um espaço de sensibilização e diálogo, gerando análises de nossas vivências e realidades a partir de princípios africanistas, o Fórum de Juventude Negra abre seus trabalhos do ano, convidando a todas e todos para a 1ªFORMAÇÃO DE 2015.

domingo, 25 de janeiro de 2015


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A minha vizinha nunca leu Simone de Beauvior. Não conhece Emma Goldman e muito menos já ouviu falar sobre Audre Lorde. A minha vizinha não é acadêmica, nem preta cotista e o máximo que conseguiu chegar, foi até o primário e por contra gosto do pai: "preta minha não vai estudar!". 

A minha vizinha não sabe o que é direitos humanos. Já levou cuspe na cara, chute na barriga, três abusos e um filho no bucho. A minha vizinha trepou com um sujo.

Já foi chamada de nega, vagaba, macaca. Inclusive pelos homens de farda. A minha vizinha não sabe o que é sororidade, às vezes chora de saudade do filho que perdeu, pura sacanagem!

A minha vizinha não é culta. Sempre foi chamada de puta. Jogada na rua, cresceu na labuta. Já foi faxineira, cozinheira, prostituta. Ê mulher de luta! 

Sabe que nem sempre a vida é justa, mas ela busca. Onde ela vive, não existe lei Maria da Penha que a proteja de ser mãe "solteira, diarista e detenta". 

Essa mulher tá abalada.
Aaaah, mas o eurocentrismo ainda a mata.
Tá preparada: hoje vai largar o emprego e ir para o sambódromo (é o jeito), interpretar a mulata. Coitada..."

Texto: Lorena Cristina



quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

APROPRIAÇÃO CULTURAL

Muita gente entrou esse ano em discussões, no mundo todo, sobre apropriação cultural, mesmo sem saber do que se tratava. Tanto em um episódio de How I Met Your Mother, quanto o clipe de Hello Kitty da Avril Lavigne foram acusados de racismo contra a cultura chinesa e japonesa, respectivamente. Além desses teve também a Alessandra Ambrósio usando um cocar indígena como acessório em uma foto no Instagram, gerando muita polêmica. Uma boa quantidade das pessoas não entendeu como esse tipo de construção pode ser racista, já que não tem a pretensão direta de ofender perante a características étnicas de uma pessoa específica. Esse tipo de racismo, porém, vai além de algo de tão fácil percepção, pois ele atinge mais fundo: à identidade de um povo.

Pra quem não conhece, Apropriação cultural é quando uma cultura usa aspectos de outra como acessórios à sua, num sentido bem resumido. Isso significa que tanto o contexto quanto o significado daquilo que você se apropria são descartados quando isso acontece. Sabe quando novelas como O Clone e Caminho das Índias fizeram sucesso e do nada aprendemos vários bordões que teoricamente seriam como esses povos falavam e consumimos vários produtos relacionados à essas novelas, em vestuário e decoração, sem saber direito se era assim que eles se vestiam ou decoravam nesses países, e muito menos sabendo o significado disso ser usado ou em qual contexto era usado? Então, isso é que é apropriação cultural.


"O que há de errado nisso?", você pode pensar. Para responder, posso usar um dos casos mais antigos de apropriação cultural conhecido. Durante a primeira metade do século XI até a primeira metade do século XX, no teatro e cinema americano, via-se a inserção da figura do negro nas narrativas. Mas, ao invés de atores negros nesses papéis, houve o que ficou conhecido como Blackface: literalmente, atores brancos pintavam a cara de tinta preta com bocas desenhadas como as de palhaço, gerando uma imagem vexatória e cômica da imagem do negro, ao invés de uma real representação.
O problema da apropriação cultural é que, ao tentar consumir uma cultura a partir de algo que não é dessa cultura, não temos visibilidade real das pessoas com essa identidade, e, ao invés disso, geralmente caímos em estereótipos. E todos nós sabemos bem como estereótipos podem afetar nossa sociedade: quem tá de fora associa essa ideia como a real sobre aquele grupo, ao passo que quem tá de dentro se sente limitado pelas ideias. É só lembrar de como a gente se sente como a gente é estereotipado pelos gringos, como no caso do episódio dos Simpsons ou daquele filme de terror "Turistas". Por que diabos então achamos que temos o direito de fazer o mesmo com a Índia?

Estereótipos, porém, vão além, porque eles se acumulam ao longo do tempo, formando as histórias únicas, que são hoje em dia grandes limitadores de vermos o mundo como ele é, e grande construtores de censo comum, no sentido negativo da palavra mesmo.
video uma história única
As histórias - junto com objetos, músicas, comidas e expressões artísticas - podem ajudar nesse processo, mas claramente não se você tirar as pessoas e os significados delas. Desse jeito não temos cultura, e sim só uma carcaça sem nenhuma profundidade. E é preciso, de uma vez por todas, parar de confundir a carcaça com a cultura.
texto tirado do blog: http://nossa-caixa.blogspot.com.br/2014/08/apropriacao-cultural-e-historia-unica.html